Platônico

pla•tô•ni•co adj.

1. De caráter espiritual, casto.
2. Sem interesses materiais ou mundanos.
3. Ideal.
Eis a definição de “platônico”. Eu, particularmente, sou irremediavelmente aficcionada por amores platônicos. Não gosto muito de realidade, gosto de sonhos. Gosto de fechar os olhos e imaginar. Imaginar coisas como “o que ele está fazendo agora?” ou “será que ele também está pensando em mim?”. Gosto de idealizar relações. Imaginar o que eu diria se estivéssemos juntos nesse instante, a resposta que eu teria.
A realidade mata o amor. A partir do momento em que o relacionamento deixa de ser algo idealizado e passa a ser real, os defeitos surgem, as brigas começam, o inevitável acontece: o amor começa a morrer. Se ele é grande, suporta mais. Mas se ele é grande, e vindo de ambas as partes, ele pode crescer, se fortalecer e, mesmo que ele morra um pouco a cada dia, ele nasce de novo de uma forma diferente.
Na vida real, não existem princesas que beijam sapos, não existem sapos que viram príncipes, não existem príncipes salvadores montados em cavalos brancos, e muito menos “felizes para sempre”. Não existe outra metade da laranja, não existe alma gêmea. A nossa felicidade não depende de outras pessoas. O que existe é que as pessoas, quando juntas, superam mais obstáculos que sozinhas. E aí, quando paramos de procurar a felicidade no outro e começamos a procurar em nós mesmos, entendemos que estávamos completos o tempo inteiro, só não nos dávamos conta disso, e o que precisávamos era na verdade alguém que nos desse apoio para suportar o que quer que aconteça, compartilhar os momentos.
Gosto de ler as mensagens que vêm no sachê de açúcar do trabalho, são trechos de um poema. Os meus favoritos são: “Invente menos problemas”, “Diga menos nãos” e “Se apaixone mais vezes pela mesma pessoa”. Talvez isso seja a solução para matar menos o amor, e fazê-lo nascer de novo. Quantos relacionamentos terminam por falta de flexibilidade de uma das partes (ou até das duas)? Quantos relacionamentos acabam por problemas e discussões que na verdade nem existiam?
Se apaixonar de novo pela mesma pessoa deve ser a chave pra manter aquele sentimento de início de relacionamento, onde tudo no outro é lindo: o sorriso, o olhar, os defeitos.
Ainda prefiro os amores platônicos, não dão muito trabalho. Sou meio preguiçosa.
Porque então, o garoto e a garota se vêem, e conversam, e se olham. Cada um tenta absorver o máximo da presença um do outro. A garota mal consegue esconder que deseja se aproximar, o garoto se esforça para não tocá-la. Os dois falam de coisas banais, idiotas, e se divertem como loucos. E então, quando percebem, horas já se passaram, é hora de ir pra casa. Eles se olham nos olhos. A garota quer que ele a beije, e o garoto a quer beijar. Nenhum dos dois fala nada, pode estragar tudo aquilo. Ela pensa que ele não quer, ele pensa que ela pode interpretar mal. Os dois se são um desajeitado beijo no rosto e cada um segue seu caminho. A garota imagina o que poderia ter acontecido se ele a tivesse beijado. O garoto imagina o que dizer da próxima vez que a vir. E a magia do amor platônico permanece eterna.
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2 thoughts on “Platônico

  1. Já passei algumas vezes por essa ultima situação, sei bem como é.

    Se bem que acho que não sei direito o que é amor real, o amor platônico e a imaginação de situações como no começo do texto sempre fizeram parte de mim.

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