orgulho, preconceito, esquecimento

Há quem diga que um amor de verdade demora a passar. Que quando se ama de verdade, mesmo que doa, está gravado dentro de você e lá fica até que chegue um novo amor, ainda maior, e ocupe seu lugar. Não acho que seja bem assim. Quando você é feliz, esquecer é fácil.
Talvez um rompimento abrupto de relações facilite, mas isso só se pode afirmar com a experiência. A mim, por exemplo, ajuda. Ainda mais se o rompimento abrupto não for de minha decisão. Todo ser humano tem um negociozinho bem chato chamado “orgulho”, e o meu é tão grande que não me deixa ceder. Não assumo responsabilidade por coisas que não fiz e sei respeitar as decisões dos outros. E, se quem eu amo decidir tentar um rompimento abrupto, que poder tenho eu pra contestar? Não é que eu não ame, mas tudo o que me vem à cabeça é: “Boa sorte, tchau tchau! A perda é sua, minha vida continua exatamente de onde parou”.
A verdade é que aprendi com a vida que o primeiro passo para ser feliz com alguém é não precisar de alguém pra ser feliz. Quando sua felicidade não depende de ninguém, a vida fica mais colorida, mesmo que as situações por que você passe sejam em tons de cinza. Não acho que se deva acreditar na busca por sua “outra metade”, todo mundo já é completo sozinho, e a razão para procurar alguém é dividir essa felicidade que você conquistou por si só.
Felicidade não é ter tudo o que você sempre quis, não é sua vida ser um mar de rosas colombianas, felicidade vai além disso. Felicidade é você acordar de manhã cedo e pensar: “não tenho um centavo, não tenho um namorado, não sou nada, não sou ninguém, mas poxa, minha vida vale a pena!”. Felicidade é você pular como criança num parque, dar barrigadas na piscina, assistir desenho animado, comer só o recheio do biscoito recheado. É você cair e dar risada, comer sorvete direto do pote, cair na gargalhada com aquela piada de “toc toc”. É você ver sentido na vida mesmo depois de todas as adversidades pelas quais você passou. É se encantar com o canto de um pássaro, com as cores de uma flor, com o sorriso de uma criança.
Ser feliz sozinho é o primeiro passo para ser feliz em um relacionamento e, se quando o relacionamento acontecer ambas as partes não tenham aprendido isso, talvez não dê certo.
Sou feliz sozinha, minha vida vale a pena. Tenho família, amigos de verdade, um sorriso no rosto e muito bom humor pra enfrentar o dia a dia. E, se não deu certo, por mim tudo bem, estou em paz. Superar é fácil e, por mais que eu esteja contente* com a situação, ainda tenho as lembranças do que foi bom aqui, no coração ❤

Beijos, gatos.

(*) Contente, ao contrário do que muitos possam pensar, não quer dizer que estou feliz, mas apenas que estou conformada.

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5 thoughts on “orgulho, preconceito, esquecimento

  1. Poxa, Sue… Como você escreve bem e além disso está certíssima.
    Ninguém é obrigado a ficar com ninguém e não é por isso que nós, lindas e maravilhosas, vamos ficar sofrendo.
    Bóra tocar a vida pra frente que tem muitos gatos nos esperando. Beijoca =*
    Parabéns pelo texto 🙂

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