tudo coisa da nossa cabeça

90% das mulheres que participaram dessa pesquisa realizada pelo Think Olga afirmam que trocaram de roupa pensando no assédio que poderiam sofrer ao ir pra algum lugar. 81% já deixaram de fazer algo, de ir pra algum lugar ou passar por algum caminho para evitar o assédio.

Isso aqui aconteceu:
“Ouvi um cara começar a me chamar de gostosa na rua e ignorei. De repente, o cara veio se chegando pro meu lado no ponto de ônibus, com o pau pra fora, batendo uma punheta pra mim, me chamando de gostosa. Entrei no primeiro ônibus que encostou, nem vi para onde ia, só pra fugir do safado. Quando cheguei em casa chorando, minha mãe perguntou o que tinha acontecido. Depois que contei, ela perguntou: ‘E o que você fez pra provocar o homem, ele não colocou o pau pra fora à toa’. Depois disso, nunca mais contei nenhum episódio de assédio, abuso ou qualquer outra coisa pessoal que aconteceu comigo.”

Mas não existe esse negócio de cultura do estupro, né? É tudo coisa da nossa cabeça, alguns dizem.

BULLSHIT.

Não há nada de errado em ser mulher, e a gente tem o direito de se orgulhar dos nossos úteros. E a gente tem que ter o direito de usar a roupa que quiser, de passar por onde quiser, sem precisar se preocupar se alguém vai querer passar a mão na nossa bunda. Por que um homem pode andar na rua de bermuda e sem camisa, e uma garota precisa colocar duas ou três camadas de roupa pra ir até a academia? O princípio não é o mesmo?

O respeito tem que existir independentemente do que eu esteja vestindo, do que eu esteja fazendo ou do lugar por onde eu estou passando. Ninguém pede para ser assediada, ninguém quer ser assediada. Ninguém.

Advertisements

2 thoughts on “tudo coisa da nossa cabeça

  1. Situações como essa relatadas acima me deixam com a cara queimando de vergonha por ser homem, mesmo não praticando esse tipo de absurdo. Respeito é algo básico, é o mínimo necessário. Acho triste ter que conviver com justificativas que transformam a vítima em culpada e os julgamentos feitos principalmente por mulheres com base em argumentos baseados no machismo puro e medíocre. Enquanto pai de uma mocinha de 17 anos, o machismo a que ela inevitavelmente é e será exposta é o que mais me preocupa, e também o que mais me ofende e envergonha enquanto homem.

    • Oscar, isso é uma cultura que vem sendo pregada há tanto tempo que está enraizada no consciente coletivo. Eu mesma não consigo usar uma saia mais curta ou bermuda porque não suporto nem os olhares, me sinto vulgar e exposta, e fui ensinada desde cedo que eu devia usar roupa composta se quisesse ser levada a sério.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s